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segunda-feira, 28 de maio de 2012

PROJETO DA CEPLAC DE CONSERVAÇÃO PRODUTIVA DO CACAU SERÁ APRESENTADO NA RIO+20


Iniciativa aumenta lucros no campo e preserva meio ambiente

Projeto Barro Preto pretende fortalecer sistema produtivo sustentável existente há mais de dois séculos no sudeste da Bahia.
Sustentabilidade. A palavra que deve ser uma das mais pronunciadas durante a Conferência Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) remete à preocupação da sociedade com as próximas gerações. E um dos modelos que pode servir de exemplo para o mundo está sendo implantado em uma região que já pratica a sustentabilidade há mais de dois séculos. Trata-se do Projeto Barro Preto, trabalho junto a agricultores que utilizam o sistema cacau-cabruca e desenvolvido de forma experimental desde agosto de 2010 pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) da Bahia.
O sistema cabruca é único no mundo. O termo regional é empregado para caracterizar a forma de plantio de cacauais utilizada há mais de 250 anos no sul baiano, que conservou a biodiversidade da Mata Atlântica e permitiu o desenvolvimento da região.
Conservação Produtiva/Projeto Barro Preto - Correção de sombra, adensamento de cacaueiros e plantio de espécies arbóreas. (Foto: Águido Ferreira)
No entanto, a prática foi bastante prejudicada devido à chegada da praga conhecida como “vassoura-de-bruxa”. Segundo o superintendente da Ceplac na Bahia Juvenal Maynart, a produção atual é de aproximadamente 130 mil toneladas por ano, valor bastante inferior as 400 mil toneladas no período do apogeu dos agricultores do cacau. A situação acabou obrigando produtores da região a substituírem o cultivo sustentável por alternativas que degradam o meio ambiente, como as pastagens.
Para retomar o crescimento da produção e ao mesmo tempo incentivar a preservação ambiental, o projeto desenvolvido no município baiano de Barro Preto pretende promover a conservação produtiva. O objetivo é capacitar os produtores para o uso de tecnologias sustentáveis, além de incentivar a diversificação de culturas e possibilitar o sistema de rastreamento global (GPS) das árvores plantadas nas fazendas, método conhecido como georreferenciamento.
Os resultados dependem da adequação das propriedades rurais a partir do manejo para aumentar a produção do cacau. A compensação, no entanto, é benéfica no sentido ambiental, como a reposição entre três e cinco árvores para cada uma que seja necessária retirar. “Com o rastreamento das localidades, as punições para eventuais descumprimentos da lei serão imediatas. Pretende-se, com isso, incentivar o plantio de espécies ameaçadas de extinção, como o Pau-brasil e o Jequitibá”, explicou o superintendente da Ceplac da Bahia, Juvenal Maynart.
Resultados entusiasmam
O projeto-piloto tem com o apoio da prefeitura de Barro Preto, do Sindicato Rural do município e do Centro Mars de Ciência do Cacau, empresa de pesquisa de uma das maiores fabricantes de chocolate do mundo, e conta com a adesão de 12 propriedades. Segundo Maynart, a meta é expandir para 40 fazendas antes de finalizar o período experimental.
“Após essa fase, pretende-se levar aos demais agricultores não apenas os resultados obtidos, mas repassar a tecnologia e conhecimento necessários para a implantação desse modelo produtivo. É uma iniciativa de interesse não apenas do produtor e da população, mas do setor que depende do cacau como matéria-prima”, afirmou. O interesse do mercado é respaldado pelos números: a partir de 2020, vai faltar 1,6 milhão de toneladas ano de cacau, em todo o mundo.
Os resultados são animadores nos locais onde estão sendo realizadas as primeiras experiências do projeto. Na fazenda Bom Jesus, a produção em 2011 de 150 quilos por hectare deve aumentar para 450 quilos/ha, neste ano – a meta do projeto é atingir a produtividade de 900 quilos/ha. De acordo com Manoelito Rodrigues, administrador da fazenda, a expectativa na região não para de crescer.
“Sou líder de uma associação de produtores com mais de 68 membros, que antes pensavam em desistir das plantações de cacau e hoje estão entusiasmados com a possibilidade de aumentar a produção e diminuir os gastos, a partir da utilização das tecnologias que estão sendo testadas”, disse Manoelito. A julgar pela proposta e as consequências benéficas para o meio ambiente, o entusiasmo se estenderá aos que vão ecoar a palavra “sustentabilidade” durante a Rio+20.
Assessoria de Comunicação Social
Ceplac/Diret
Zenilda Araujo

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